Por Nova Portugalidade
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Há uma característica psicológica e vital própria dos brasileiros que turistas de todo o mundo notam: o brasileiro é sentimental, emotivo, temperamental, e este sabor de afeição natural que os estrangeiros levam para os seus países, isso que podemos até chamar de “sentimentalidade”, tem uma raiz portuguesa, compondo um aspecto da luso-brasilidade.

Não são raros os relatos de europeus, sobretudo os do centro e norte do velho continente, os tipos mais sisudos e frios se comparados aos brasileiros, entusiasmados com essa lida espontânea nas relações pessoais que parece emanar deste perfil incomum que, não devemos negar, beira ao vício de um comportamento excessivamente extrovertido.

O sociólogo pernambucano Gilberto Freyre reitera num de seus artigos sobre as relações entre portugueses e luso-descendentes que o português tem uma capacidade singular de compreender e se colocar no lugar do outro, o que, a seu ver, atenuou o esclavagismo, lhe dando o caráter patriarcal e familiar que o sistema adquiriu. Uma compreensão do outro que é ligada a uma simpatia no trato com o outro que o brasileiro herdou, e não poucos os brasileiros que passeiam ou moram em Portugal que sentem uma hospitalidade e recíproca que ambos, brasileiros e portugueses, têm entre si.

Para citar um renomado intelectual brasileiro que enfim observa este tempero português na psicologia luso-brasileira, citamos o diplomata e psicólogo social brasileiro José Osvaldo de Meira Penna que no seu “Ensaios de Psicologia Coletiva Brasileira”, em resumo, diz que quando a população se sente aviltada e indignada pelas ações de um criminoso, o Estado brasileiro sutilmente veste luvas de pelica para punir o delinquente e não causar escândalo a esse mesmo povo que clamava justiça.

Meira Penna percebe essa contradição interna por essa sentimentalidade que gera um tipo de sentimentalismo conhecido, inclusive, em certa candura e amabilidade da mulher brasileira que, diga-se, também sutil, concorre a um protagonismo nas suas relações conjugais.

Diferentes de nós, num outro extremo, há os japoneses, povo milenar que de tão inflexível e mortalmente rigoroso possui a tradição da prática do suicídio ritual “seppuku”, cometido quando o nipônico julga que havia desonrado a si mesmo ou a um compromisso de forma imperdoável.

O luso-brasileiro é um perfil humano que, em que pese seus defeitos por corrigir, dá lições ao Mundo.

Patrick Passos

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