Por Rafael Pinto Borges
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Está em curso uma insurreição em França. Aparentemente, o fenómeno excede largamente o âmbito do interesse da Nova Portugalidade. Contudo, se atentarmos nas características desta crise política, social e económica, compreenderemos que toca não só a França, mas todas as sociedades ocidentais, incluindo Portugal.

É inaceitável que num país rico como a França haja 15.000.000 em precariedade no emprego, 9.000.000 de pobres, 6.000.000 de desempregados, 40.000 sem-abrigo. A que se deve este quebranto?

Importa que se saiba qual a origem do problema, o qual, aliás, já se tinha verificado no século XVIII e levara à queda da monarquia em França. Em 1973, pela lei Pompidou-Giscard, o Estado francês deixou de poder recorrer ao Banco de França para se financiar, sendo doravante obrigado a recorrer à banca privada internacional, passando a pagar taxas de interesse por esta exigidas e alimentar um serviço de dívida impagável; ou seja, desde 1973 que o Estado francês protege a agiotagem.

Os cínicos argumentam que há que ir buscar meios financeiros para cumprir as funções atribuídas ao Estado. Trata-se de uma falsa questão, pois o financiamento do Estado sempre se fizera sobre o trabalho e a riqueza produzida em França, proporcionando três décadas de grande prosperidade e paz, quando hoje 80% dos meios requeridos provêm de empréstimos.

Não é o imposto sobre as fortunas que resolverá o problema, dizem os economistas não comprometidos com o actual regime financeiro de extorsão. O problema não é exclusivo da França. Há quase cem anos que se instalou nos EUA e foi a seu tempo denunciado por Kennedy, sintomaticamente abatido em circunstâncias misteriosas e nunca apuradas. Não deixa, pois, de ser curioso o facto de Pompidou ter sido o director do Rothschild em França antes de subir ao poder e Macron ter sido, ele também, um agente dessa plutocracia. Depreendemos, assim, que está em curso uma revolta democrática da grande massa do povo francês contra um governo refém da banca.

Miguel Castelo-Branco

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