Por Nova Portugalidade
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Fim da tarde no “Portuguese Settlement” em Malaca. Da cidade portuguesa, expugnada palmo a palmo, ameia a ameia, casa a casa, homem a homem pelos holandeses em 1641, já pouco subsiste. Erguida, firme, sólida e orgulhosa, a porta de armas – a Famosa – lembra tempos de glória e sacrifícios que me provocam “pele de galinha”. Que grande façanha, que teimosia coroada de lágrimas e ousadias, essa de manter um império, do Cabo a Nagasáqui, com uns milhares de portugueses ásperos e valentes. Isso não durou dois, dez, cem anos. Ali estivemos séculos, expostos à malária, ao calor inclemente, à asfixiante humidade, aos ataques de árabes, javaneses, holandeses, britânicos e franceses. Ali rezou-se missa durante trezentos anos, acolá nasceram gerações de portugueses, mais adiante estão sepultados centenas de missionários, mercadores, aventureiros, capitães e soldados anónimos. Os mortos mandam entre as raízes seculares, as trepadeiras, o capim alto e as pedras escaldadas pelo sol. Aproximo-me do café. Música portuguesa: o vira e o malhão. Os empregados, vestidos de campinos. Aproxima-se um malaio e diz-me: aqui somos todos portugueses. Revelou-se o segredo. Os galeões, as naus, as caravelas partiram. Os missionários há muito que não rezam missa, a Misericórdia caiu de pobre. Eles continuam portugueses. Se isto não é amor de pátria, onde estará?

 

 

 

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