Por Nova Portugalidade
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Sabia que os fidalgos portugueses dos séculos XV e XVI seriam contra o estilo de combate dos espartanos?

Tendo isso em conta, quem ganharia num duelo e/ou batalha; um espartano da Grécia Antiga ou um fidalgo lusitano do Portugal Quinhentista?

Ainda que um debate puramente baseado em anacronismos cujas conclusões nunca serão definitivas, tornou-se um exercício frequente entre investigadores e historiadores militares comparar forças de períodos opostos. A análise científica será sempre uma componente da qual não se pode ignorar, mas mais importante é o porquê destas comparações, que feitas as contas têm pouca utilidade, se alguma de todo.

É do conhecimento comum que os soldados de Esparta não utilizavam armas de longa distância, uma peculiaridade que os portugueses não seguiam, foram na verdade dos primeiros a adoptar armas de fogo, há historiadores que inclusive acreditam que foram artilheiros ao serviço de Portugal que criaram o que viria a ser mais tarde as primeiras espingardas. Onde está a semelhança? A resposta é simples, nos fidalgos portugueses, pois seguiam uma conduta militar distinta dos restantes soldados. Não credibilizavam o uso pessoal de espingardas ou canhões; combate que não fosse de corpo-a-corpo «era para cobardes», tal como os espartanos acreditavam.

Ironicamente, os fidalgos portugueses considerariam o estilo de combate dos espartanos igualmente inapropriado e inadequado de homens bravos.

Porquê? Quando Dom Afonso de Albuquerque introduziu na Ásia Portuguesa o uso dos piques suíços e falanges, os fidalgos portugueses não só consideraram esta forma de combater uma «verdadeira cobardia», mas até se recusaram a lutar ao lado dos soldados que empregavam este novo estilo.

Qual a correlação? Os espartanos lutavam em falanges!

Algo interessante e impensável, considerar o estilo espartano como «de cobarde», mas no código de conduta militar da fidalguia portuguesa seria assim avaliado. Roger Crowley descreveu o estilo dos fidalgos portugueses como «berserk», “caótico”. E na verdade era, pois não valorizavam a táctica, mas a bravura. Existe um ideal romântico neles, «não interessa quantos são, inimigo à vista é para ser enfrentado, melhor morrer do que de cobarde ser chamado», tinham no entanto uma visão simplista no que tocava a de como atingir vitória, factor que tanto os favoreceu como os traiu em certas alturas.

Então, quem ganharia numa batalha entre espartanos e portugueses quinhentistas?

Convém primeiro frisar que os fidalgos portugueses quatrocentistas e quinhentistas certamente não olhariam para os antigos soldados de Esparta como cobardes, mas sim a sua forma de combater, dado o facto de que abominavam a idéia de batalhar em falanges, o seu orgulho induzia estes homens a se recusarem a participar num confronto conduzido dessa forma. Será melhor não incluir o uso das armas de fogo nesta hipotética situação, no que seria uma batalha anacrónica entre potências temporalmente muito afastadas. Temos também que apontar outras questões; seriam exclusivamente fidalgos a combater? Pois se sim, os espartanos certamente os derrotariam, provavelmente sem perder um único guerreiro. Porquê? Porque uma multidão de soldados desordenados, que era como os fidalgos gostavam, por mais exímios no uso da espada que fossem ou pelas armaduras de aço que utilizassem nunca teria hipóteses contra uma falange. Mas convém lembrar de um pormenor que poderia fazer toda a diferença no resultado, os montantes! Espadas ibéricas que atingiam 175 centímetros de comprimento. Eram usadas para que um soldado pudesse enfrentar vários adversários simultaneamente e também para este tipo de situação, cortar piques ou lanças de uma falange. Portanto, se os fidalgos fizessem uma investida com montantes rapidamente partiriam os piques dos espartanos, obrigando-os a um combate mais pessoal. Se tivermos isto em conta já se pode imaginar uma vitória da fidalguia lusa. Só vendo poderíamos ter a certeza.

Mas num duelo individual, quem sairia derrotado?

Aqui o fidalgo português teria clara vantagem, pois era treinado para este tipo de combate, mano a mano, enquanto que o espartano era instruído no combate colectivo, ou seja, a batalhar como uma única unidade ao lado de outros camaradas. Se o forte do espartano era a sua táctica colectiva, para o fidalgo lusitano seria a sua perícia individual na espada.

Ricardo da Silva

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