Por Rafael Pinto Borges
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Filho de um Pedro Theon de Pravia, aristocrata galego-asturiano, Vímara Peres nasceu na Corunha, hoje e então cidade galega. Pelo seu pai, membro do Conselho do Rei Afonso III das Astúrias, Vímara era, talvez, neto do rei Bermudo; em 858, recebera Pedro da Coroa asturiana a missão de parar, derrotar e expulsar uma invasão varegue – viquingue – da Galiza. Esta era, pois, família central da monarquia asturiana, com provas dadas no gabinete e no campo de batalha.

Às ordens de Afonso III das Astúrias, foi Vímara Peres quem tomou em mãos a tarefa de expulsar os mouros do vale do Douro. A região, onde se estabelecera a fronteira entre o reino cristão das Astúrias e as áreas sob domínio muçulmano, a sul, encontrava-se desertificada após muitos anos de avanços e recuos por ambas as partes em contenda. Tal era o estado da região que se lhe dá, hoje, o nome revelador de “Deserto do Douro”. Vímara quebrou o impasse, devolvendo estabilidade à região e iniciando a sua repovoação. Para o efeito, libertou da presença islâmica toda a área costeira compreendida entre o Minho e o Douro. Libertou o Porto de Gale, que mais tarde viria a conhecer-se como as cidades do Porto e de Gaia e cujo nome seria, depois, o de Portugal; para marcar a dominação cristã, guarnecê-la e protegê-la de nova investida muçulmana, Vímara fundou a cidade de Guimarães (Vimaranes), a que deu o seu nome. Guimarães foi herdada por Lucídio Vimaranes, filho de Vímara, e foi sede de uma das mais notáveis casas condais – a de Vimaranes, justamente – da península.

O condado fundado por Vímara Peres foi a primeira politeia portuguesa. Sediado em Guimarães, este Condado de Portugal fez-se verdadeiro centro de poder nas monarquias asturiana e, depois, galego-leonesa. Acabaria só duzentos anos sobre a sua fundação, em 1071, pela mão de Garcia II da Galiza. Exigindo de Garcia as liberdades que a força de Portugal parecia justificar, o Conde Nuno Mendes levantou-se contra aquele. Dando-lhe batalha em Pedroso, em Janeiro de 1071, foi derrotado pelo rei e morto. Triunfante, Garcia II coroou-se Rei de Portugal – de facto, foi o primeiro homem a fazê-lo. O Condado só seria reestabelecido 20 anos mais tarde quando Afonso VI de Leão fez Raimundo de Borgonha Conde da Galiza, de Portugal e de Coimbra. Os Condados de Portugal e Coimbra seriam, depois, dados pelo mesmo Afonso VI a Henrique de Borgonha, primo de Raimundo e pai de Afonso Henriques. Vímara Peres precedeu-os a todos e colocou, duzentos anos antes de Afonso Henriques, a primeira pedra na casa que viria a ser Portugal. Pode bem dizer-se dele que foi o primeiro português.

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  1. Joao Felgar / 18 Dezembro, 2020 em 19:59 /Responder

    Quero fazer uma correção ao vosso texto e trago em latim, o nascimento de Portugal em 744 e já existia Vimara e antes este nome de casa, vem da Alemanha da Saxoniae, de Hamburg. Os nossos historiadores deviam voltar para a Escola e lhes serem riscados os seus títulos de professores, doutores e mestres da arte da História.

    Eu que tenho que procurar a minha verdade, eu não invento, eu não suponho que seja como se pode imaginar, eu provo, porque preciso de vós mostrar que sou Herdeiro destes nomes, pelos registos que existiram desde 400 até 1750.

    Rodericus Tolet. lib. 4. c. 5. Reliquit Affomfis ex ormifimda Rcgis Pelagii filia, duos filios Froilam & Vimaramum. Cap. 6. Cum frater ejus (Froilæ) Wimaramus effet pulcer , ffremuus & affabilis, ab ommibus amabatur, quem Froila ob zelum regni propriis mamibus imterfecit , & filium ejus Veremumdum , quafipro fàtisfaäionem im filium adoptavit. Cap. 7. poft hüjus Froilæ imteritum Aure/ius frater ejus fucceffit im regmo. Lucas Tudenfis lib. 4. habuit Alfonfus ex Herme/enda filia Pelagii Regù idem Froilamum, Vimaramum qui fuit pater Peremumdi Regis diacomi , & Adofimdam &c. fratremfìum Vimaramem ob Xelum regmi immocuum imterfecit ; Weremumdum filium ejus fibi adoptavit ( Froilanus) &c . Era 826. Veremumdus Diacomus filius Wimarami im Regem eligitur. Rodericus Sancius parte 3. c. 3 . ipfe Alfonfus ex filia Pelagii gemuit Froilam & _Æurelium , qui regmaverumtfùcceffive ; gemuit & Egimadam quæ fuit uxor Silonis , & propter eam regmavit , & Ilmaraum patrem Veremumdi Regis. c. 4. Froila ab Aurelio fratreìo imjuffe regmamdigrâtiapropriis mamibus occiditur, idemque frater filium imterfeäfi fratris, momime Weremundum, quafi pro/atisfa£fione adoptavit. c. 8. Veremumdus hujus momime primus filius Bilmaraifilii Alfomfi Regis Catholici. Alfonfus à Carthagena. c. 47. obiit Affomfùs morte com` mumi ; depingitur autem im margine Ormifelda uxor ejus, & Aurelius qui regnaVA vit po/? Froilam primogemitum, & Ilmaraus qui mom fuit Rex, /edfuit pater Weremumdi Regis. cap. 52. Keremumdus hujus momimi primus filius Bilmarai , filii Alfonff cognomemto Catholici. Lucius Marineus Siculus de rebus Hifp. lib.7. Cui Mauregato Keremumdus Alfonfi Catholici mepos ex Bilmarao filiò fùcceffit. Francifcus Tarapha. dc Regib. Hifp. _(fonfùs ex uxore fùa filios tres fìßepit Phroillam, Kimeramum , & Aurelium , &c. Froilla Vimeramum fratrem mamibus propriis ob imvidiam occidit , &c. Veremnmdus filius Wimerami nepos Alfon/ cognomento Catholici Mauregato vita fumèfè im regnum Hifamiarum fucceffit. Ioannes Vafæus, Alfonfus filiam (Pelagii) ormjfemdam uxorem duxit ex qua filios tres fìffulit Froilam , & Wimaramum, & Aurelium &c. Froila fratrem Kimaramum, quod ommibus obformam & egregiam imdolem charus effet , veritus me favore populari fretus ad regmum adffiraret, impia morte peremit ; cujus tamen/celerispamitemtia duäus , filium ejus Weremumdum im regmi fùcceffiomem adoptavit &c. Mauregato defum&fo fucceffit Vcremumdus Wimarami filius. Michael Ritius de Regib. Hifp. lib. 2. Veremumdus Alphonfi cogmomemto Catholici mepos ex filio Bilmarao Aiauregato jam fato fumèfo/ùcceffit. Ioannes Mariana lib. 7. c. 6. im magmis Primcipibus Froila mumerari potuit, mi fratrem Bimaramum eximia corporis digmitate atque morum camdore ffudia populi comciliamtem fùù ipfe mamibus impte aque ac crudeliterjugula/ fet &c. /eremumdum occifi fratrù filium regni /uccefforem adoptavit. Recte itaque Rodcricus lib. 4. c. 7. Eo mortuo Mauregato Keremumdus filius Froilae im Regem eligitur. & Mariana lib.7. c.7. huic opimiomi (Vcremundum Alfonfi Catholici fratre Froila natum affirmanti) potius accedo. fed duos perpcram Aurelios , alterum Alfonfi Catholici filium Froile germani imterfeâforem , altcrum Froila Duce natum ; duos item Veremundos alterum Vimarani filium à Froila patruo adoptatum, alterum Froilae Ducis filium, perperam commentus eft; unicus enim Aurelius Froila Duce natus, unicus Veremun dus Aurclii germanus fuit. Sed hæc obiter. Ambrofio – Morali affentimur,Hifpanicorum Regum, Petri Ducis pofterorum, originem à fe obfcrvatam his Alfonfi Cafli verbis pro civitate * Lugo firmanti; Adefomfùs Rex, Petri Ducis filius,qui de Recaredi Regù Gothorum ffirpe defcemdit. & Chartâ Odoarii Epifcopi è tabulario Lugcnfi quae fic habct, IDeus &c. Diva memoriae Primcipem Domimum Adefomfùm , im/edem illius dilatavit, quia ipfe erat de firpe Regi, Recaredi & Ermemegildi. licet probare non poffimus, quod hanc ammo 744 (quo Alfonfus anno demum 757 denatus, 7Divae memoria Princeps dici non poterat) datam putas. Lucæ etiam Tudenfi s & Roderico Toletano, * qui Petrum Alfonfi Catholici patrem ex Recaredi Regis progemie fuiffe fcripferunt, confentimus. non tamcn eo nos adiget eorum au&oritas, ut idipfum regnum, quod Recaredus & pofteri ad annum ufque 7t4tenuerant, Pelagio & Alfonfo paruiffe demus: Illi enim, Alanorum & Suevorum regno everfo, per totam Ę , primamque Narbonenfem imperium promoverant ; his nihil in Gallia Narbonenfi, quam Carolus Martellus Mauris cxtorfit ; in Provincia Tarraconcnfi, quæ tota Francis primum, ac cxinde Navarræ & Aragonum Regibus , & Barcinonis Comitibus paruit, nihil in Carthaginenfi & Bætica, Mauros ubique (fi Caftellæ Comitatum excipias) tyrannos paffis ; Nihil in Lufitaniæ & Gallæciæ parte, quae Maurico jugó excuffö, Portugalenfe regnum fundarunt, obvcnit ; fed inÉ alC12© * lib. 1. c.$. lib. 13.c.18. * lib.13.c.1o. I I. s lib. 4. 4 lib.4.

    exfamilia Vimarae,cuius nomcnlitcris proditum nó inueni.Hica Vcremundo Regepropter ecclcra fua vinculis traditus eft.Hæc omnia exhiftoria Compoftellana. 965. Ranimirus morbo corrcptus obiit Legionc, conditufquc cft in monafterio Deftria| nae,cuius iam mentiofa&a eft:dcccffit vero fine libcris. Proinde regni fucceffioad Verenundum Ordoniitertii filiurn lege rediit,qui rcgnauitannis feptemdecim. Interea Al- coraxis Rex Hifpalcnfis Portugalliam

    Vimarae’ alius ex eadem samiliasi successor est datus , cuius nomen memoriae proditum non est (lsq’uariarn nonnulli … qui Alfonso Imperatore vniit.

    Lucidus Vimarani. E, Vimara Froilani. Por. que Vimarano era nome proprio de homem,do qual foi chamado Illfus P. hum filho del Rei D. Affonfo I. de Leam: o qual nome também foi feruia de fobrenome, fegundo o confirmo, Lucidus Vímarani, quer dizer, Lucido filho de Vimarano.” ! Vimara, tambem ê nome de houro deleza mem, e afsi Froilano. Vimara ;”>’; Froilani, è o mefmo que Vimara filho de Froilano

    Vimarae alius ex eadem familia fucceffor eft datus, cuius nomen memoriae proditum non eft (Ifquariam nonnulli codices habent fufpicor falfò).Is duobus confanguineis, nihilo fànior cüm effèt, Regis iuflù carceri eft mancipatus.

    Vimara fuffe&us vita fimili,fiue cafu,fi- Regno Francorum vfq; in septimam generationem, & ^ E. ue proditione in flumine Minio periit.Vimarae

    Portenses severioris, pietatis odium, *) Recessus ille, quo d. 17 Oct. 1112. Reditns scholae Portensis Duci Vimariae in 12 annos venditi erant, 17 post annum 1722 prolongatus est usque ad Festum S. Michaël. 1733. Instrümentum redditionis datum est Portae d. 7 Octobr. 1733:

    GuIMARANES, Latein. Vimario nicht weit von Braga, ist ein Herzogth

    1719 – 3. GuIMARANES, Latein. Vimario nicht weit von Braga, ist ein Herzogth” von welchem sich vor diesem ap Panagorte Prinzengeschrieben haben. was in der provinz TRANSMONTANA zu mercken? 1. … cABodes. von Portugal. 27.

    Christian Juncker – 1734
    WlLHELMVS ERNESTVS, Dux Saxoniae Vimariae, ac GcnerofifH. Dn.Heinricus Hildebrandusa bEINSIEDEL, Duc.Sax. Confiliarius intimus, & Cancellarius

    O meu 8 avô paterno o João Vimarae nasceu em 1689 e faleceu em 1750 e isto vai até 1815.

    Portanto a história como nos contam, os Vimara não ficaram com os Froilas, nem Mumadonna Diaz, não

    Edovard de Portugal deuxiefme du nom Duc de Vimarana, filho de princeffe Isabel de Portugal com Rei D. Manuel I, de la Maifon de Portugal

    E Bragança existe desde 600 da Alemanha e não preciso de inventar nada, até tenho o meu sobrenome nessas casas, não preciso de inventar nada.

    RVDOLPHVS II. Dux Bauariæ inferioris, Comes Alcorfen sis & R . lacum Brigantinum F. nepris Othonis I. Imp. in Alconis monasterio iuxta socrum sepulca

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